Foto: Composição de imagens da internet geradas por IA
Quem é Isay Weinfeld e por que sua assinatura no Erê pode marcar uma nova fase residencial do Porto Maravilha?
Um dos arquitetos brasileiros mais reconhecidos internacionalmente assina o novo Erê, da Cury, no Santo Cristo. Mas o que torna Isay Weinfeld tão relevante — e o que sua presença pode significar para o projeto?
Quem acompanha os novos lançamentos do Porto Maravilha já se acostumou a ver números enormes: centenas de apartamentos, rooftops, piscinas, áreas de lazer e novas torres surgindo onde, até poucos anos atrás, quase não se falava em moradia.
Mas o próximo lançamento da Cury na Avenida Rodrigues Alves, no Santo Cristo, trouxe um nome que chamou nossa atenção por outro motivo.
Isay Weinfeld.
Para quem não acompanha arquitetura, talvez seja apenas mais um nome escrito abaixo da perspectiva do empreendimento. Para quem conhece seu trabalho, porém, a assinatura muda um pouco a conversa.
Isay Weinfeld nasceu em São Paulo, em 1952, formou-se em Arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e construiu, ao longo de mais de cinco décadas, uma carreira que ultrapassou bastante os limites tradicionais da profissão. Seu escritório trabalha com arquitetura, interiores, mobiliário, exposições e design, enquanto sua trajetória pessoal também mantém uma forte ligação com o cinema.
Essa mistura ajuda a entender por que seus projetos costumam ser observados não apenas pela fachada, mas pela experiência criada dentro dos espaços.
No portfólio aparecem casas, edifícios residenciais, hotéis, restaurantes, lojas e projetos culturais, no Brasil e no exterior. Há trabalhos ligados ao Fasano, projetos da Livraria da Vila, edifícios residenciais como o 360º e empreendimentos internacionais como o La Petite Afrique, em Mônaco. O próprio escritório mantém arquitetura, interiores, design, cinema e exposições como áreas independentes de sua produção.
Em 2026, o Instituto Tomie Ohtake realizou “Isay Weinfeld – Etcétera”, a exposição mais abrangente já dedicada à sua carreira. Foram reunidos cerca de 180 itens, entre maquetes, filmes, móveis, joias, textos e documentos. A mostra partia justamente de uma característica interessante de sua produção: é difícil reduzir a obra de Weinfeld a um único estilo reconhecível.
E talvez seja aí que esteja a parte mais interessante de sua chegada ao Porto.
Weinfeld não ficou conhecido por repetir uma fórmula arquitetônica pronta. O dossiê que preparamos para esta matéria destaca uma prática muito mais associada à observação de proporções, percurso, luz, materiais, escala e à relação entre o espaço e quem vai utilizá-lo. Croquis, maquetes, protótipos e detalhamento aparecem como parte importante desse processo.
Em uma entrevista publicada em seu próprio site, ele chegou a dizer algo que ajuda a entender essa maneira de pensar arquitetura: por mais que fotografias e filmes apresentem muito bem um projeto, nada substitui conhecer pessoalmente um espaço.
Alguns dos Projetos idealizados por Isay Weinfeld
Você provavelmente já conhece algum dos principais projetos de Isay Weinfeld, mas não sabia que era ele o arquiteto por trás das obras. Quer ver só? Acompanhe a leitura para conferir:
Loja Havaianas

Livraria da Vila

Casa Cubo

Edifício 360º

Folia

É por isso que a participação dele no Erê merece atenção.
O empreendimento está anunciado pela Cury para a Avenida Rodrigues Alves, 733, no Santo Cristo, com 494 unidades divulgadas no material de pré-lançamento e lançamento previsto para 10 de setembro de 2026. A frente para a Baía de Guanabara e o rooftop aparecem entre os elementos destacados na apresentação comercial. Esses dados ainda são de pré-lançamento e podem sofrer alterações até a documentação definitiva.
E surge a pergunta inevitável:
O que Isay Weinfeld pensou ao projetar o Erê?
Por enquanto, existe uma resposta que preferimos dar com toda transparência: ainda não sabemos.
Até a conclusão da pesquisa utilizada como base deste artigo, não havia sido localizada uma entrevista de Weinfeld sobre o Erê, um memorial arquitetônico assinado por ele ou uma declaração de seu escritório explicando o conceito específico do projeto. Portanto, dizer que “Isay quis fazer isso” ou que “pensou o edifício daquela maneira” seria colocar palavras na boca do arquiteto.
Mas podemos observar algumas pistas.
A divulgação do Erê valoriza a relação com a Baía de Guanabara. E quando olhamos para outros trabalhos de Weinfeld, percebemos que paisagem, luz, percurso e a passagem entre interior e exterior frequentemente deixam de ser apenas pano de fundo e passam a fazer parte da experiência do edifício.
Em projetos do próprio escritório, o caminho até uma determinada vista pode ser cuidadosamente construído. No Hotel Fasano da Fazenda Boa Vista, por exemplo, o percurso atravessa jardim, recepção e lobby antes de finalmente alcançar uma varanda aberta para a paisagem.
Isso não significa que ele tenha aplicado a mesma solução no Erê. Significa apenas que será interessante observar, quando plantas e materiais definitivos forem divulgados, como a Baía foi incorporada ao projeto: simplesmente como uma vista valorizada comercialmente ou como parte da própria arquitetura.
Existe ainda um desafio que talvez seja mais interessante do que qualquer detalhe de fachada.
Weinfeld é muito associado a projetos autorais, hotéis, casas e edifícios nos quais cada decisão pode ser extremamente controlada. No Erê, estamos falando de um empreendimento anunciado com 494 unidades.
Como essa maneira detalhista de projetar será traduzida para um residencial dessa escala?
É exatamente aí que a assinatura começa a importar.
Não porque o comprador vá morar em uma “obra de arte”, nem porque o nome de um arquiteto famoso transforme automaticamente um empreendimento em algo excepcional. Mas porque cria uma expectativa maior sobre implantação, circulação, áreas comuns, proporções, materiais e relação do prédio com o lugar onde está sendo construído.
E esse lugar também tem uma história curiosa.
Antes do Erê, o número 733 da Avenida Rodrigues Alves esteve muito distante do universo dos novos condomínios residenciais.
Em 2013, a Pimpolhos da Grande Rio registrava oficialmente seu barracão no “Rodrigues Alves 733 fundos”. Ali eram produzidas fantasias e carros alegóricos. Dez anos depois, em março de 2023, uma vistoria realizada dentro do Masterplan do Centro do Rio identificou no imóvel galpões e ruínas em estado ruim, ainda ocupados por escolas de samba do Grupo de Acesso.
O estudo do BNDES daquele período já enxergava outro futuro possível para o terreno: sugeria uso misto, incluindo ocupação residencial nos pavimentos superiores. Em 2025, documentos da CCPAR ainda mencionavam a necessidade de retirada das escolas de samba para que o processo envolvendo o imóvel avançasse.
Em muito pouco tempo, portanto, aquele endereço passou de barracão, oficina e depósito ligado ao Carnaval para terreno de um grande residencial.
E agora receberá um projeto assinado por Isay Weinfeld.
Essa talvez seja a conexão mais interessante entre o arquiteto e o novo momento do Porto Maravilha.
O Erê não está surgindo em um terreno neutro. Está em uma Avenida Rodrigues Alves que nasceu das grandes transformações portuárias do início do século XX, passou décadas relacionada a armazenagem, logística e atividades industriais e agora começa a receber milhares de moradores.
Importante também esclarecer uma confusão que já apareceu algumas vezes quando se fala do projeto: o Erê fica no Santo Cristo e não está localizado no núcleo histórico da Pequena África. O fato de estar dentro da Região Portuária não permite fazer automaticamente essa associação territorial.
Há ainda uma curiosidade sobre o nome.
A divulgação comercial diz que o Erê foi inspirado na alegria de viver, na leveza e na pureza dos pequenos momentos. A palavra possui origem iorubá e também significado próprio dentro de tradições religiosas de matriz africana. Mas nossa pesquisa não encontrou, até agora, declaração da Cury ou de Isay Weinfeld afirmando que essa origem tenha determinado a escolha do nome.
Por isso, também não vamos inventar essa conexão.
Neste momento, talvez a pergunta mais interessante nem seja se o Erê será bonito.
É outra:
O que acontece quando um arquiteto acostumado a trabalhar a experiência dos espaços recebe a missão de projetar quase 500 moradias em um terreno diante da Baía, no meio de uma das maiores transformações urbanas recentes do Rio?
A assinatura de Isay Weinfeld fez o ClassiX prestar mais atenção ao projeto. Agora queremos ver o que estará efetivamente desenhado por ele, quais soluções chegarão ao empreendimento definitivo e quanto daquilo que tornou seu trabalho reconhecido estará perceptível para quem realmente for morar ali.
Quando a Cury divulgar as plantas definitivas e, principalmente, quando Isay ou seu escritório falarem publicamente sobre o Erê, teremos novas respostas.
E certamente voltaremos a esse assunto.
Você já conhecia o trabalho de Isay Weinfeld? A assinatura de um arquiteto desse porte faria diferença para você na escolha de um imóvel? Deixe sua opinião nos comentários do artigo. Queremos saber também quais projetos dele você já conheceu pessoalmente.
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Marcio do ClassiX
Desenvolvedor Full Stack e fundador do ClassiX. Com mais de 10 anos de experiência em tecnologia, minha missão é criar soluções digitais que transformam o cenário do comércio e da informação no Porto Maravilha em realidade.
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