Quem movimenta as cargas do Porto do Rio quando a cidade ainda está dormindo? Foto: Produzida por IA, não representa a imagem real da Região
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Quem movimenta as cargas do Porto do Rio quando a cidade ainda está dormindo?

Enquanto boa parte do Rio dorme, navios atracam, contêineres são içados, veículos desembarcam e cargas seguem viagem. Conheça o trabalho da Triunfo, MultiRio e MultiCar no Porto do Rio.

Por Marcio do ClassiX · 11 de Outubro de 2026 · 9 min de leitura · 73 views ·

Quem mora na Saúde, Gamboa, Santo Cristo ou Caju está acostumado a ver navios, guindastes e pilhas de contêineres fazendo parte da paisagem. O que nem sempre é percebido é que, quando as ruas ficam mais vazias e boa parte da cidade já está dormindo, o Porto do Rio continua trabalhando.

Nos terminais de contêineres, por exemplo, as operações de navios funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa que uma embarcação pode chegar de madrugada e encontrar no cais uma estrutura preparada para iniciar uma sequência que envolve práticos, rebocadores, operadores de equipamentos, conferentes, equipes de segurança, técnicos, motoristas e muitos outros profissionais.

E aqui existe uma diferença importante para entender como o Porto funciona.

A PortosRio é a Autoridade Portuária. É a empresa pública responsável pela gestão do Porto do Rio de Janeiro, cuidando da infraestrutura pública, fiscalizando as operações, administrando acessos e coordenando diferentes agentes que utilizam o porto. Ela não é, portanto, a empresa que necessariamente retira cada contêiner de um navio ou dirige cada veículo que desembarca.

Essa parte da operação é feita por empresas privadas que exploram terminais e áreas específicas.

É aí que entram nomes como Triunfo Logística, MultiRio e MultiCar.

A Triunfo mantém no Porto do Rio uma operação voltada principalmente a produtos siderúrgicos, carga geral e apoio logístico offshore. Sua estrutura possui cais, áreas alfandegadas, armazéns e até acesso ferroviário dentro do terminal. A empresa também está habilitada a funcionar como armazém geral para guardar mercadorias de terceiros.

Quando falamos em produtos siderúrgicos, estamos falando de cargas que podem incluir aço, ferro-gusa, placas, barras, tubos, vergalhões e outros produtos que exigem equipamentos e planejamento específicos para serem movimentados com segurança. Em 2026, por exemplo, a ANTAQ autorizou uma operação transitória da Triunfo em uma área destinada justamente à movimentação e armazenagem desse tipo de material.

Já a MultiRio tem outro perfil. Ela opera o Terminal de Contêineres II do Porto do Rio desde 1998 e possui contrato de arrendamento estendido até 2048. O terminal tem hoje cerca de 251 mil metros quadrados, dois berços de atracação e capacidade projetada para movimentar até 1 milhão de TEUs por ano.

É ali que entram em cena aqueles grandes guindastes que vemos de longe.

Quando um porta-contêineres encosta no terminal, a operação já foi planejada antes de sua chegada. O navio informa sua previsão, a atracação é organizada, o prático auxilia na entrada pela Baía, rebocadores podem participar da manobra e, depois que a embarcação está segura no cais, os chamados portêineres começam a retirar ou colocar contêineres.

Essas caixas podem carregar praticamente tudo: alimentos, produtos industrializados, equipamentos, peças, matérias-primas e mercadorias destinadas à importação ou exportação.

Em maio de 2026, o MultiRio recebeu pela primeira vez um navio de 366 metros de comprimento, o MSC Katrina, com capacidade superior a 14 mil TEUs. O episódio mostrou como a operação do Porto do Rio passou a lidar com navios de escala cada vez maior.

Ao lado da MultiRio funciona a MultiCar, especializada em outra carga muito visual: veículos.

A MultiCar é um terminal do tipo Ro-Ro, abreviação de roll-on/roll-off. Em vez de serem içados por guindastes, carros, caminhões e outros veículos entram ou saem dos navios rodando por rampas próprias.

É quase como assistir a um estacionamento inteiro atravessar um navio.

O terminal possui cerca de 150 mil metros quadrados e vem passando por ampliação. O plano divulgado pelo Grupo Multiterminais prevê aumentar sua capacidade anual de aproximadamente 240 mil para 326 mil veículos e ampliar o cais de 180 para 360 metros.

MultiRio e MultiCar pertencem ao Grupo Multiterminais, mas cumprem papéis diferentes: uma é especializada principalmente em contêineres; a outra, em veículos.

A Triunfo é outra empresa, independente do grupo, e atua em áreas e tipos de carga diferentes.

Para quem vê tudo isso do lado de fora, talvez pareça apenas um conjunto de guindastes e navios. Por dentro, cada embarcação funciona quase como uma operação coreografada.

Antes da chegada, o terminal já sabe quais cargas serão descarregadas e quais deverão embarcar. O pátio precisa estar preparado para recebê-las. Caminhões são agendados. Equipamentos são posicionados. Documentação aduaneira é verificada. Receita Federal, autoridades marítimas, agentes de navegação e equipes operacionais entram em cena em momentos diferentes.

Quando a carga sai do navio, ela não simplesmente “vai embora”.

Um contêiner pode seguir para armazenagem, inspeção, liberação aduaneira e depois para um caminhão ou conexão logística. Um veículo pode ser levado para pátios específicos antes de seguir para distribuição. Uma peça de grande porte destinada a uma plataforma de petróleo pode exigir içamento especial e planejamento de engenharia.

É por isso que existe tanta gente trabalhando por trás de uma única escala de navio.

Não encontrei um número público atualizado que permita dizer quantos profissionais trabalham somente nas operações portuárias da Triunfo, MultiRio e MultiCar no Rio. As empresas divulgam estruturas corporativas com mais de mil funcionários em seus grupos, mas esses números incluem outras unidades e atividades. Por isso, seria incorreto transformar isso em quantidade de trabalhadores do Porto do Rio.

O que podemos afirmar com segurança é que essa atividade movimenta uma cadeia muito maior do que os funcionários dentro dos terminais: caminhoneiros, despachantes, agentes marítimos, práticos, rebocadores, empresas de manutenção, segurança, alimentação, tecnologia, armazenagem e comércio exterior dependem diretamente desse fluxo.

E o volume ajuda a colocar isso em perspectiva.

Em 2025, o Porto do Rio movimentou cerca de 14 milhões de toneladas de cargas. Somente no primeiro semestre daquele ano foram 8,4 milhões de toneladas, com crescimento de contêineres, trigo, ferro, aço e outras cargas.

Essa movimentação coloca mercadorias para dentro e para fora da cidade, abastece cadeias produtivas e gera atividade econômica muito além dos limites dos terminais.

Para os moradores do Porto, também existe um efeito direto. Caminhões, acessos viários, barulho operacional, iluminação noturna e circulação de trabalhadores fazem parte da convivência cotidiana entre o porto e os bairros que cresceram ao redor dele.

É uma relação antiga e que continua mudando.

Hoje, enquanto milhares de novos moradores chegam ao Santo Cristo e à Gamboa, o Caju permanece fortemente ligado à operação portuária. Isso cria uma situação pouco comum no Rio: um grande porto comercial funcionando praticamente ao lado de áreas residenciais, culturais e turísticas em plena expansão.

E dá para conhecer essa operação por dentro?

Sim, mas não como se fosse uma atração turística comum.

A PortosRio e os terminais realizam visitas técnicas e institucionais. Já houve visitas ao conjunto formado por Triunfo, MultiRio e MultiCar com representantes do Conselho de Autoridade Portuária, do Tribunal Marítimo, da Receita Federal e entidades empresariais. Em junho de 2026, por exemplo, uma comitiva empresarial visitou o terminal MultiRio para conhecer sua operação.

Não encontrei, porém, um programa regular de visitação livre para moradores ou turistas. Como se trata de área alfandegada e de operação pesada, qualquer acesso precisa ser previamente autorizado e segue regras de segurança.

Talvez justamente por isso tanta coisa continue acontecendo sem que quem mora a poucos metros saiba exatamente o que ocorre do outro lado dos portões.

Quando vemos um navio parado no Caju pela manhã, é possível que centenas de movimentos já tenham acontecido desde a madrugada.

Contêineres foram içados. Veículos desembarcaram. Produtos siderúrgicos mudaram de lugar. Caminhões entraram e saíram. Trabalhadores trocaram de turno.

A cidade pode dormir. O Porto, não.

Você já acordou de madrugada e percebeu a movimentação dos navios ou dos guindastes no Porto? Trabalha ou já trabalhou em algum desses terminais? Conte sua experiência nos comentários do artigo. Quem vive essa rotina pode ajudar outros moradores a entender melhor o Porto que existe atrás dos muros e dos cais.

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Marcio do ClassiX

Desenvolvedor Full Stack e fundador do ClassiX. Com mais de 10 anos de experiência em tecnologia, minha missão é criar soluções digitais que transformam o cenário do comércio e da informação no Porto Maravilha em realidade.

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